Naquela manhã da sexta-feira de carnaval, ele dormiu até mais tarde. Precisava descansar para estar bem disposto à noite. Vestiu o terno branco, calçou os sapatos de cromo alemão e pegou o chapéu. Saiu e conferiu se havia trancado a porta dos fundos. Todas as poucas coisas que tinha naquele quarto e cozinha eram pra ele muito valiosas. Algumas relíquias de quando era jovem; o ingresso do jogo de 77, os discos e fitas de sambas antigos, as cartas de amor, a fantasia do ano em que a escola subiu para o grupo especial, a foto de seus falecidos pais e de seus dois filhos, que não via há mais de dez anos, o taco de sinuca, tantas vezes campeão, a foto dele ao lado de Adoniran autografada e a aliança de bodas de ouro de sua mãe, que por tantas vezes pensou em vender nas horas de maior aperto. O resto eram móveis velhos e alguns eletrodomésticos sem a menor importância.
Caminhou sob o sol forte do meio-dia. Entrou no banco lotado e pegou a fila. Alguém sugeriu que ficasse na vila dos idosos. Não se deu ao trabalho de explicar. Preferia ficar na fila comum. Conversar com as pessoas. Observar as mulheres. Contar histórias ao office-boy. Quando chegou sua vez, entregou o cartão e o documento de identidade. Conferiu o dinheiro, guardou-o no bolso do paletó e saiu despedindo-se galante da mocinha do caixa, que já o conhecia pelo nome.
Parou no velho botequim dos tempos em que trabalhava na fábrica de papelão que já não existe mais. Pediu o prato mais caro e um bom vinho.
Durante a tarde passeou pela cidade. Comprou o jornal para saber como estava cotada sua escola de samba. Leu na praça. Encontrou alguns poucos amigos e relembraram outros que já haviam partido.
Começava a anoitecer. Procurou o número de telefone no bolso do paletó. Voltou a banca de jornal e comprou um cartão telefônico, um carrinho de ferro e uma biografia de bolso do Cartola. Depois passou numa loja de bijuterias e comprou um par de brincos. Mandou embrulhar para presente. No telefone público discou o número que tinha nas mãos. Ouviu pacientemente as broncas de Alzira repetindo que ele não deveria ligar na casa da patroa. Só tinha lhe dado o número para uma eventual emergência. Brincando a fez esquecer de que não era ela a dona do telefone. Convidou-a para sair. Passaria em sua casa às nove.
No ônibus leu, sem concentração, os primeiros capítulos do livro. Quando desceu, conferiu as horas no relógio da padaria. Chegou antes do horário combinado. Comprou balas de hortelã e fez hora. Depois seguiu pelas vielas de terra até a casa de Alzira. Bateu palmas. O menino abriu a porta do casebre de madeira e veio correndo, descalço. Ele se afastou com cuidado para que o moleque não lhe sujasse o terno. Entregou-lhe o carrinho. Alzira apareceu na porta e o neto foi logo lhe mostrando o presente. Ele cruzou cuidadoso o quintal de terra e tirou o pequeno embrulho do bolso. “Esse é pra você. Quero que use hoje”. Alzira sorriu. Convidou-o para entrar enquanto terminava de se aprontar. Ele esperava contrariado enquanto dividia a atenção entre a tevê e o garoto. Alzira fazia hora para que a filha chegasse logo do trabalho. Não deixaria o neto sozinho. E quando finalmente ela chegou, João sentiu o alivio em sair e o desconforto pelo olhar da mulher que passara sem dizer qualquer coisa. Pedia a Alzira que guardasse seu livro; pegaria na volta. Saíram.
No ônibus, pagou as passagens. Não queria passar pelo constrangimento de apresentar a carteira de idoso na frente de sua acompanhante. Chegaram ao baile antes de a porta abrir. Um pequeno grupo de pessoas aguardava na calçada. Convidou Alzira para jantar enquanto esperavam. Num pequeno restaurante da Avenida Brigadeiro Luiz Antônio, comeram pizza e tomaram vinho. No salão de baile tomaram cerveja e dançaram a noite toda ao som das antigas marchinhas. Quando saíram, já era madrugada. Não havia mais ônibus. João chamou um taxi.
Antes de o sol nascer tomaram café na mesma padaria em que João esperou ansioso pelo horário marcado. Alzira queria chegar em casa antes da filha acordar. Ele a acompanhou. Esperou até que ela fechasse a porta e saiu andando lentamente. Retirou do bolso as únicas moedas que sobraram da maravilhosa noite. Sorriu. Conferiu que não eram suficientes nem para mais uma passagem de ônibus. Por um momento pensara em voltar caminhando. Depois ponderou e resolveu pegar a condução de volta. Dessa vez, voltou a utilizar o benefício que a idade lhe proporcionara. Sentou no último banco e sonhou com o mês seguinte; com o dia em que novamente receberia sua aposentadoria e poderia aproveitar como ontem. Voltaria à casa de Alzira sem ligar antes, com a verdadeira desculpa de buscar a biografia do Cartola.
(Conto do livro infanto-juvenil que estou tentando terminar)
Posso começar?
A voz de tio Lucidio soou alta e forte na sala. Todos nós já estávamos a postos juntinhos uns dos outros. Lá fora a noite fria e a chuva espantavam qualquer tentativa de saída para rua. As janelas estavam embaçadas e a luz da vela refletia sombras na parede.
Quando tempo estamos sem luz? Ouvi minha mãe perguntar.
Pelo menos umas três horas. Respondeu tia Rosa. Acho melhor passarem a noite aqui mesmo. As crianças já estão acomodadas e o Cido vai começar a contar histórias. Eles vão acabar dormindo. Amanhã vocês saem bem cedo. Num frio desses, chuva, sem luz, o melhor que se tem a fazer é ficar por aqui. A gente acomoda as crianças no quarto dos meninos, você dorme aqui na sala e amanhã bem cedo pegam o ônibus para São Paulo. Antes mesmo do almoço estarão em casa.
Todos nós esperamos apreensivos pela resposta de minha mãe. Inclusive tio Lucidio, que não começou a história antes de ouvi-la.
Acho que é a única opção. Nós vamos ficar.
Que alivio. Pensei comigo.
Enquanto tia Rosa e minha mãe andavam pela casa preparando as camas, tio Lucidio assentou o corpo no chão encostado na parede, de frente pra nós. Ele olhou para a janela, desabotoou a camisa, pigarreou e suspirou:
Vocês podem não acreditar nessa história que vou contar... Mas é a mais pura verdade... Juro... Eu vinha de Juiz de Fora. Tinha levado uma carga de remédios, e na volta esperei por dois dias, nenhuma carga. Resolvi voltar com o caminhão vazio. Peguei a estrada bem cedo. Antes de o galo cantar. Queria chegar em São Paulo no início da noite. Depois de ter andado umas quatro horas, resolvi parar num posto para tomar um café. Abasteci o caminhão, chequei os pneus, depois estacionei e entrei na lanchonete. Pedi um café e um pão com manteiga na chapa. Enquanto comia, sentou do meu lado um homem de roupas pretas e um boné também preto com uma estrela amarela na frente, que lhe tampava os olhos. Eu o cumprimentei por educação: bom dia! Ele não respondeu, apenas acenou com a cabeça, levando a mão esquerda à aba do boné. Pediu café e mais nada.
Eu terminei meu lanche e ia saindo quando ele me chamou: o amigo vai pra onde?
Vou para São Paulo. Respondi já de pé.
E o amigo poderia me dar uma carona?
Claro. Respondi meio ressabiado na hora. Mas todo caminhoneiro não nega carona na estrada, ainda mais numa lanchonete. A gente nunca sabe quando nós podemos precisar.
Saímos sem trocar uma palavra. Eu abri a porta. Ele entrou no caminhão, colocou o cinto de segurança e deitou a cabeça na janela, cobrindo ainda mais os olhos com o boné. Tentei puxar alguma conversa: o amigo é daqui de perto?
Sou de longe.
De que lugar?
Do mundo.
Sei... E o amigo vai para São Paulo a passeio ou a trabalho?
Os dois.
Sei... E o amigo já sabe onde vai ficar? Sim, porque, a cidade é muito grande e...
Quando chegar em São Paulo o senhor me deixa em qualquer lugar... Disse ele cobrindo de vez o rosto com o boné. Percebi que não queria conversa. Continuei dirigindo até que no meio do caminho me furou um pneu. Olhei para o lado, o sujeito parecia estar dormindo. Desci e comecei a trocar o pneu furado. Era o dianteiro esquerdo. A estrada era mão dupla, quase não tinha acostamento e metade do caminhão estava no meio da pista. Como teria que trocar o pneu naquelas condições, sinalizei a pista com os dois cones que tinha, mais uns galhos que arranquei na beira da estrada. Só então comecei a soltar os parafusos da roda. Sempre atento ao que vinha na estrada. Cada vez que passava um carro eu sentia o vento forte em minhas costas. Caminhão ou ônibus, então, era um terror, o chão tremia e o vento quase me deslocava. Era cada susto! Quando finalmente consegui tirar o pneu furado dei a volta no caminhão e peguei o estepe embaixo da carroceria. Coloquei o pneu furado no suporte e fui rolando o estepe até a roda suspensa pelo macaco hidráulico. Quando encaixei o estepe no eixo e ia começar a apertar os parafusos vi um carro ultrapassando uma carreta cegonha, aquelas enormes que carregam carros. Na outra pista vinha em alta velocidade uma caminhonete, na hora vi que não daria tempo do carro concluir a ultrapassagem, iam bater de frente, e pior, bem do meu lado, não havia espaço para todos passarem de uma só vez ao lado do meu caminhão. Eu não tinha como voltar. Estava com a roda do estepe pesada nas mãos. Fechei os olhos e esperei pelo pior. Esperei... Esperei... Parecia uma eternidade... Nada aconteceu. Não ouvi nenhum barulho. Nem mesmo dos carros e da carreta passando por mim. Quando abri os olhos ainda ouvi um passarinho que cantava na árvore ao lado do caminhão. Nem um sinal dos carros ou da carreta. Estranhei a calmaria na estrada. Então, percebi meu carona, ali parado ao meu lado: tudo bem? Perguntei. Eu é que deveria perguntar isso. Respondeu ele, subindo novamente no caminhão. Mais uma vez não consegui reparar no seu rosto. Troquei o pneu e quando voltei para a cabine, ele estava do mesmo jeito, dormindo com a cabeça na janela e o boné sobre o rosto.
Continuei a viagem. Parei para almoçar. Meu carona não desceu do caminhão. Quando eu voltei, ele continuava do mesmo jeito, exatamente na mesma posição.
Segui na estrada. A noite começou a cair. Ainda faltavam uns cem quilômetros quando escureceu totalmente. Até aquele momento não havíamos trocado nenhuma palavra. Resolvi parar novamente para ir ao banheiro e tomar um café. Seria a última parada antes de chegar a São Paulo. Resolvi acordá-lo e perguntar se queria alguma coisa. A resposta foi curta e grossa: não.
Desci. Fui ao banheiro. Tomei meu café e quando ia subir no caminhão senti algo tocar em minhas costas, quando olhei para trás um homem apontava um revolver em minha direção: É um assalto. Ele disse. Na hora não sei exatamente o que passou pela minha cabeça. Agarrei o cano da arma e tentei desviá-la da minha direção. Caímos no chão, os dois rolando. Ouvi um disparo e um barulho de lata. Acho que a bala acertou a carroceria de um outro caminhão que estava ali parado. Brigamos por alguns segundos, de repente senti uma dor terrível na cabeça. O homem havia acertado uma coronhada em minha testa. Desmaiei. Não vi mais nada. Quando acordei estava encostado na roda do caminhão. Meu carona estava de costas pra mim, olhando para a estrada. O que aconteceu? Perguntei.
Tentaram te assaltar.
Eu sei... Mas o que aconteceu depois? Cadê o bandido? Ele me acertou. Por que não me matou?
Ele fugiu. Acho que se assustou.
Assustou-se com o quê?
Comigo. Respondeu meu carona tirando o boné e olhando bem nos meus olhos.
Fiquei parado. Perplexo. Ele não tinha olhos como os nossos...
Não? Perguntamos todos ao mesmo tempo. Carol nem quis ouvir o final da história, correu para o quarto onde estavam minha mãe e tia Rosa.
Tio Lucidio pigarreou e sorriu em direção a escada por onde Carol subira em questão de segundos. Depois continuou em tom mais baixo. E nós nos aproximamos ainda mais uns dos outros para ouvir:
Não! Eram dois buracos fundos e escuros. O rosto parecia o de uma caveira. Naquele momento não consegui mais olhar para o seu rosto. Era a face da morte. Tenho certeza. Baixei a cabeça e quando levantei-me com dificuldades, apoiando-me no pneu do caminhão ele ainda estava ali. Olhando em meus olhos. Mas não tinha mais os dois buracos, e sim dois olhos pretos fortes, brilhantes. O rosto não era mais o de uma caveira. Era o de um homem jovem. Parecia diferente até de quando o encontrei na lanchonete pela manhã. As roupas eram as mesmas, o boné também, mas parecia uma outra pessoa. Ele olhou-me com pureza. Tirou o boné e me entregou dizendo: melhor você ficar com ele até o último dia de sua vida. Vai lhe proteger. Você está precisando. Foi muita sorte ter me encontrado hoje. Por duas vezes poderia ter partido na hora errada e ficar vagando por esse mundo. Eu fico por aqui, daqui a diante sigo andando. Você vá direto para casa. E não pare mais em lugar nenhum. Você não está num dia bom hoje.
Ele ia começar a se distanciar quando falou: Ah... Guarde bem esse chapéu. Não o dê a ninguém. E deixe sua família avisada; quando você morrer, seus herdeiros devem queimar o boné.
Nossa! Nós repetimos ao mesmo tempo.
Tio Lucidio levantou-se tranqüilamente. Nós estávamos apavorados. Venham comigo, ele disse. Nós o seguimos pela escada. Chegamos ao seu quarto. Ele abriu o guarda-roupa, depois com certo suspense abriu a ultima gaveta. Retirou de lá um boné preto com uma estrela amarela na frente. Vejam, disse ele suspendendo o boné. É aqui que eu guardo. Agora vocês já sabem. Espero que um de vocês demore muito para vir até aqui abrir essa gaveta. Nesse momento tia Rosa e minha mãe apareceram na porta do quarto: Crianças, está na hora de dormir... Tio Lucidio levou o indicador aos lábios e guardou rapidamente o boné. Não contem a elas, poderiam ficar muito assustadas. Sabem como são as mulheres.
Tio Lucidio saiu do quarto. Tomou seu banho. Quando voltou, nós ainda estávamos lá. Hora de dormir crianças. Vamos. Para suas camas.
Lembro-me de que nós brigávamos, porque ninguém queria dormir no chão. Ricardo foi obrigado a me ceder à cama, perdeu numa aposta que fizemos. Não me lembro exatamente qual foi. Vez ou outra alguém perguntava: já estão dormindo? Todos respondiam que não. Demorei a pegar no sono. No dia seguinte fomos embora. Nunca contei a minha mãe a história de tio Lucidio. O tempo passou e não voltamos mais no sitio. Agora estou aqui, vinte seis anos depois, chegando ao sitio para o velório de tio Lucidio. Ele faleceu ontem, aos oitenta e cinco anos.
O lugar onde, um dia, foi o Complexo Penitenciário do Carandiru, está prestes a receber um novo incentivo cultural. É a Biblioteca São Paulo que chega na região, a partir da próxima segunda-feira, 8. Com o perfil de locais como a Livraria Cultura e Livraria da Vila, a nova biblioteca custou aos cofres públicos certa de R$ 12,5 milhões.
Além dos investimentos com livros (30 mil), governos federal e estadual investiram em CDs e DVDs (4 mil), além de um projeto de decoração especial, com estrutura adequada, inclusive para deficientes físicos e visuais.
O público jovem também é alvo do novo espaço. Há uma ala para crianças de até três anos, outra para crianças de quatro a 11 anos e mais uma, para pessoas entre 12 e 17 anos. Haverá, também, computadores com acesso à internet.
Projeto leva cinema de graça a 20 localidades da cidade em 2010
Vinte endereços na cidade de São Paulo, entre Clubes e Escolas passarão a exibir filmes gratuitamente para a população.
Na inauguração do projeto Cine Clube Escola, no início de dezembro, no Estádio Municipal do Pacaembu, duas mil pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos, ganharam pipoca e sessão grátis de filme. A comédia romântica Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada foi exibida em um telão de 8 metros de largura por 15 metros de comprimento.
A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação e o Instituto Cultural Cinemagia. As sessões ocorrerão duas vezes por semana em cada um dos endereços. As exibições serão em área aberta ou em locais fechados, dependendo da estrutura do equipamento. A meta é atingir 100 unidades até junho de 2010. "Esta será mais uma opção de lazer nos Clubes Escola. Uma demanda da comunidade que poderá ter acesso à cultura de graça. Queremos reunir as famílias não apenas em torno do esporte", declarou o Secretário Municipal de Esportes, Walter Feldman. O Cine Clube Escola contará com um acervo de mais de 1.500 filmes, oferecidos pelo Instituto Cultural Cinemagia, que já trabalha com os Centros Educacionais Unificados (CEUs) de São Paulo. Segundo a instituição, de janeiro a agosto de 2009, mais de 480 mil pessoas assistiram a filmes nos teatros dos CEUs e, a partir de agora, poderão conferi-los nos Clubes Escola.
Confira as unidades que receberão o Cine Clube Escola na ZN, no início de 2010:
Clube Escola Jd. São Paulo Rua Viri, 425 Santana / Jd. São Paulo - Fone: 2973.5390
Clube Escola Vila Maria Pça. Jânio da Silva Quadros, 150 - Vila Maria - Fone: 2981.1568
Clube Escola Freguesia do Ó Rua Jacutiba, 167 - Freguesia do Ó - Fone: 3975.7569
CDC Morada do Sol Rua Três, 55 - Perus - Fone: 3945.1088
Dança Folclórica no “Fim do Mundo”
No dia 12 de fevereiro, o paulistano terá a oportunidade de conhecer um pouco da Dança Folclórica inspirada no Festival de Parintins, da Amazônia, famosa no mundo inteiro. Val de Oliveira apresenta e representa a Cunhã-Poranga, que na tradição tupi significa "moça bonita da tribo". O figurino é criado pela própria Val e, por meio da dança, busca traduzir as lendas amazônicas, levando ao público um pouco da cultura que sintetiza a raiz do povo.
O Festival de Parintins acontece todo ano na Amazônia. O Festival é a exaltação da nossa cultura por meio da dança folclórica. Representada pelos Bois-Bumbás Garantido e Caprichoso. O Festival é para a Amazônia o que o Carnaval é para o resto do mundo.
Cunhã-Poranga é um personagem feminino de destaque. Segundo a lenda, é a moça mais bonita da tribo, irradiando toda sua beleza nativa, de olhar selvagem com seu lindo corpo emoldurado em penas. É índia guerreira, erguendo flechas com bravura para dançar e encantar ao soprar dos ventos...
Apresentação Dança Folclórica Bar e Espaço de Cultura Fim do Mundo Data:12.02.2010 Horário: a partir das 18h Entrada: R$ 10,00 reais Local: Rua Alfredo Puljol, 403 - Santana/SP Fone: (011) 2281.0320 www.nofimdomundo.com.br
Muitas são as versões sobre a origem do carnaval, alguns historiadores dizem que surgiu dez mil anos antes de Cristo em rituais agrários realizados pelos povos primitivos para festejar a chegada da primavera; Outros dizem que surgiu dois mil anos antes de Cristo, no Egito em celebrações aos Deuses e Deusas; E ainda há uma terceira versão de historiadores que acreditam que a festa surgiu nos bailes de máscaras na época do renascimento em Roma, além das máscaras, a festa era realizada antes do período da Quaresma, quando se pratica a abstinência da carne, período em que a festa é realizada até os dias de hoje. A folia de carnaval chegou ao Brasil através dos portugueses, no início da colonização e, mais tarde, por volta do século XX, sofreu grande influencia de elementos da cultura africana.
Independente da história, a verdade é que grande parte dos brasileiros esperam ansiosos pela festa, dita popular. Após passarmos por todos os “problemas” (entenda por problemas: gastos) de dezembro com a compra de presentes para toda a familia, ou ao menos para os parentes mais próximos e aquele afilhado lá do interior que você não vê há pelo menos uns dois anos, mas sabe que ele espera ansioso pelo presente do padrinho, e pior, se não for um bom presente, ele vai lembrar e falar para o resto da vida; Sem contar as famosas caixinhas de natal: do coletor de lixo, do porteiro do prédio, décimo-terceiro da faxineira, do manobrista do estacionamento, do entregador de pizza. Não que eles não mereçam, mas tudo isso somado acaba “acabando” com o seu próprio décimo-terceiro sálario. Tem também os gastos de janeiro, IPVA, IPTU, escola das crianças: Matricula ou rematricula, somada a primeira mensalidade (que devem ser pagas juntas), livros ou apostilas e toda a imensa lista de material. Depois de tudo isso, você chega em fevereiro, paga a segunda mensalidade da escola (que vence no inicio do mês, antes mesmo das aulas começarem), quita as contas dos meses de dezembro e janeiro que ficaram em aberto devido aos gastos extras desses dois meses, e implora pela maior festa popular, o carnaval, aquela em que você pode brincar quatro dias sem gastar um tostão, a festa mais democrática do país, levando para a mesma passarela pessoas dos mais diferentes níveis sócio-econômicos e culturais. É o momento em que ricos e pobres ocupam o mesmo espaço e se divertem em uma festa onde as desigualdades sociais se diluem na euforia carnavalesca. O Carnaval é uma data tão importante para o brasileiro que divide o calendário anual em antes e depois da festa. O País pára pra cair na folia. Brasileiros e turistas do mundo inteiro transformam-se em foliões, colocando lado a lado empresários, executivos, domésticas, engraxates, estudantes, desocupados, delinqüentes e gringos endinheirados, sem conflitos, sem violência, só alegria, só folia... Será? Acho que depois de certa idade passamos a reclamar da decadência de tudo, viramos saudosistas de algo que nem mesmo vivemos ou que apenas ouvimos falar. Tenho saudades de um carnaval que eu nem mesmo conheci, aquele em que tudo isso realmente acontecia, as pessoas saiam para brincar os quatro dias nas ruas, se reuniam em blocos carnavalescos, com suas fantasias feitas em casa, costuradas a próprio punho, foliões, blocos do eu sozinho, samba gratuito em qualquer esquina, ah... as marchinhas...
Nessa época do ano, meu avô me contava tantas histórias a esse respeito que acabei tendo a certeza de ver e participar desses carnavais, sem nem mesmo ter nascido naquele tempo. E hoje quando volto à realidade, quando tento brincar o carnaval gratuitamente, para esquecer por quatro dias dos problemas financeiros que serei obrigado a enfrentar pelo resto do mês, quando saio à rua apenas com o dinheiro contado para o refrigerante, a água, talvez uma única cervejinha, vejo que esse carnaval não existe mais, não encontro uma só pessoa brincando na rua, não vejo os confetes e serpentinas espalhados pelo chão, não ouço as marchinhas, nem o samba, pergunto pela festa: Os bailes estão nos salões dos grandes clubes, as fantasias estão nos sambódromos, e podem ser vistas apenas por quem pode pagar o alto preço dos ingressos; Desfilar com elas? Apenas para quem pode pagar o preço em uma das alas das escolas de samba. Blocos carnavalescos na rua? Só na Bahia, mas apenas para quem pode pagar o alto preço do abadá. Para passar o carnaval sem ter gastos, o máximo que consigo é assistir aos desfiles pela tevê, o que por sinal, a certa hora da madrugada se torna algo muito cansativo.
A verdade é que a festa antigamente colorida e popular é hoje um importante vetor econômico, tão rentável que acabaram até criando os chamados carnavais fora de época, para que mesmo fora de época (como o próprio nome já diz) se possa continuar obtendo os lucros da antiga festa popular... Mas nem tudo é tristeza e saudosismo, ouvi dizer que esse ano alguns blocos de rua estão sendo esperados no carnaval de São Paulo e do Rio, uma boa idéia para resgatar os carnavais de outrora, um carnaval gratuito, sem assistencialismo, e enquanto espero ansioso pelo sucesso da idéia, tomo emprestado a frase do samba de Max Bulhões e Milton de Oliveira “Quero chorar, não tenho lágrimas, que me rolem nas faces pra me socorrer...”
Domingo, 24 de janeiro de 2010 FAÇA CHUVA OU FAÇA SOL, é dia de Sarau São Paulo no Parque Ibirapuera!
No dia 24 de janeiro acontecerá o maior evento de poesia que a cidade de São Paulo já viu: a segunda edição do Sarau São Paulo, promovida pela Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura e SPTuris.
O encontro que reunirá mais de 100 artistas entre escritores, poetas, musicos e atores como MV Bill, Lirinha (Cordel do fogo encantado), Frederico Barbosa, Rui Mascarenhas, Caco Pontes, Carlos Galdino, Marcelo Nocelli, Sacolinha e muitos outros vindos de todos os cantos da grande São Paulo e acontecerá no interior do mais importante e famoso parque urbano da cidade – o Parque Ibirapuera – na Praça da Paz – a partir das 10 horas da manhã, numa sequência ininterrupta de apresentações, até o pôr do sol.
Dois palcos serão montados no parque: o Palco Haroldo de Campos de Poesia e o Espaço Infantojuvenil Cora Coralina.
Palco Haroldo de Campos de Poesia reunirá seis grupos com suas diferentes performances poéticas representando as diversas manifestações artísticas literárias dos principais Pontos de Poesia que explodem espalhadas multiplicando a literatura por toda cidade.
No Espaço Infantojuvenil Cora Coralina, montado sobre o gramado da Praça da Paz, poetas e contadores de histórias apresentarão os melhores contos e poemas infantojuvenis, para a alegria dos jovens, de todas as idades, que estarão presentes no parque.
A grande novidade, além de alguns dos maiores nomes da poesia que se apresentarão, alternadamente, neste palco, é o lançamento da II edição do Mapa dos Pontos de Poesia, enriquecido e atualizado, que será distribuído gratuitamente, agora indicando 60 pontos onde a poesia se manifesta espontaneamente reunindo as diferentes comunidades em torno da reflexão do texto e da oralidade.
E, faça chuva ou faça sol, esse será um dia inesquecível, histórico, registro de um novo tempo, um novo momento cultural que comemora São Paulo, na flor de seus 456 anos de bem com o mundo.
Programação:
Palco Haroldo de Campos de Poesia
17h30 -Sarau da Casa
16h - ZAP! um Slam brasileiro!
14h30 - Sarau da Camarilha
13h - Récita Maloqueirista
11h30 - Sarau Chama Poética
10h - Saraus Pavio da Cultura e Fogueira Literatura e Pipoca
Espaço Infantojuvenil Cora Coralina
13h -A quase morte de Zé Malandro
(Fernanda Faria)
11h30 - "A minha viagem é..."
(Luciana Arcuri)
10h -Cordel para ler o mundo
(Carlos Galdino e Letícia Cruz)
Sarau São Paulo – Pq. Ibirapuera 24/01 – domingo A partir das 10h
Local: Praça da Paz - Parque Ibirapuera Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº Tel.: (11) 5574-5177
Finalmente, depois de tempos e tantos e tantos projetos de visitas frustrados pelos compromissos e correria da vida, consegui conhecer o Sarau da Cooperifa, o maior sarau de São Paulo, que recentemente completou 8 anos. Nas palavras de Sérgio Vaz, "A Cooperifa é um quilombo cultural, onde as pessoas não precisam limpar o pé pra entrar. E não são tiradas por aquilo que pensam. É o movimento dos sem palco".
Encontrei tudo o que esperava e mais um pouco. O Povo lindo e inteligente que Sérgio Vaz saúda nas noites de quarta-feira faz e ouve poemas num clima aconchegante de amizade, respeito e alegria, ali se vive poesia. O Sarau da Cooperifa nos faz sentir a poesia no ar, sentir-se poesia desde a primeira visita. A porta da periferia está destrancada, aberta, escancarada para que todos possam ver o que se faz ali; Contos, Poemas e Poesias, Música, tudo num romance só que pode e deve ser lido por qualquer crítico. E se lá tem violência? Tem! As vozes são fortes e cortantes. Batem fortes no peito e na alma.
Além do sarau, que chega a reunir 300 pessoas por noite, há, a cada 15 dias, o ‘Cinema na Laje’, espaço alternativo para exibição de filmes e documentários de todas as partes do Brasil e do mundo, e que acontece literalmente na laje, no “andar de cima” do bar, com pipoca de graça, entre tantos outros projetos realizados pela comunidade Cooperifa.
É sempre muito bom estar no Sarau do Povo. Foi um dos primeiros Saraus que conheci nesse vasto mundo poético emergindo da periferia da Grande São Paulo. O Sarau do Povo é um encontro mensal que acontece no Bar do Povo em Diadema. Idealizado pelo jornalista José Luís de Freitas e mantido por sua família, amigos, parceiros e colaboradores desde junho de 2007.
Já estive no Sarau do Povo quatro vezes. A recepção do Zé Luiz é fora de série. Vi muita coisa boa ali entre os poemas do próprio Zé Luiz, do Hudson Santos, os Contos da Vanessa Molnar, a revista Laboratório de poética... Conheci muita gente boa.
O Sarau do Povo é temático, a cada edição uma homenagem, um mote e, esse era o Sarau do Povo Rap, que aconteceu ontem 16/01/2010. Tenho que confessar; não tenho lá muita intimidade com o gênero, mas admiro as boas rimas, as letras inteligentes, e isso não faltou,
Mas, dois fatos, (ou melhor) duas pessoas me chamaram atenção:
No início do ano passado, num Sarau do Povo Erótico, um rapaz foi convencido (ou quase obrigado – no bom sentido) pelo Zé Luiz a fazer uma apresentação de Rap. Timidamente ele foi à frente e improvisou um Rap à capela; só ele e o microfone, sem acompanhamento nenhum. Terminou sua apresentação, recebeu os aplausos do público e saiu de fininho, recebendo os cumprimentos dos amigos, ainda envergonhado. No meio do ano, no Sarau do Povo em homenagem a Nelson Rodrigues, esse mesmo rapaz fez uma nova apresentação, dessa vez, um pouco mais desinibido. E agora, seis meses depois, tive a oportunidade de vê-lo novamente, dessa vez com acompanhamento de Dj, bateria e tudo mais o que um Mc tem direito. Que groove, voz forte, rimas e ritmo seguros, isso tudo sob os olhares de Mc Tuchê e Mc Kast, já tarimbados na arte do Rap e improviso. Aquele garoto que eu vi ano passado, agora é MC Xandão. Um dos talentos lapidados no Bar do Povo. Parabéns!
A outra novidade foi o livreto que ganhei de presente, das mãos do autor, autografado. O livro intitulado Refém das idéias é de autoria de Gracco Oliveira. Um jovem escritor que nos primeiros Saraus bradava contos decorados de Marcelino Freire ou recitava poesias de grandes autores. Dessa vez não o vi declamar nada, afinal, o Sarau estava bombando com o Povo do Rap, mas ganhei um exemplar do livro, editado pela Celta de Diadema. Li as poesias, os sonetos e as frases soltas nesse pequeno livro de 55 páginas. Originais... Sempre prezei pela originalidade. Sucesso ao Graco, outro artífice que conheci no Sarau do Povo. Segue abaixo dois poemas do livro:
Contemplação
As janelas não matam a sede.
O infinito exige, no mínimo,
uma varanda.
Do livre comércio
Num país capitalista, o comércio é liberal;
No Brasil se vende tudo:
De sexo na rua Augusta
À salvação na Universal.
BAR DO POVO R. São Bento, 46 Jd. Arco - Íris · Diadema/SP
Em 2010 o SARAU DA CAMARILHA volta com força total e com entrada FRANCA!
Democratização da leitura Zona Norte e Guarulhos integram mapeamento de saraus de poesia da Grande São Paulo
Quem diria que a São Paulo de hoje é casa de poetas, escritores e amantes das letras? E que eles se reúnem periodicamente nos quatro cantos da cidade para apreciar e discutir literatura? Certamente uma surpresa para os moradores da Pauliceia, o fato também chamou a atenção do encarregado em mapear os saraus da cidade: o poeta Rui Mascarenhas. “É uma necessidade lúdica, sócio-cultural, que procura resgatar, entender e restabelecer a identidade dos seus participantes”, diz, revelando que é grande a proliferação de saraus pela periferia. “Eles reagem (os participantes) contra o sufoco, a intimidação da globalização, enquanto pedem voz e reconhecimento próprios”, afirma.
A iniciativa do mapeamento veio da Poiesis – Organização Social de Cultura (que administra a Casa das Rosas, a Casa Guilherme de Almeida, o Museu da Língua Portuguesa e o programa São Paulo: Um Estado de Leitores). Batizado de Pontos de Poesia, o projeto teve início em fevereiro deste ano e, já naquele mês, catalogou 28 endereços de saraus. Além de mapear os endereços onde acontecem os encontros literários, a ideia é traçar o perfil dos frequentadores, detectando de que classe social vêm, qual o grau de escolaridade e as expectativas. Assim, fica mais fácil desenhar projetos culturais de estímulo à leitura.
Em geral, os saraus são frequentados por aficionados por poesia que moram na região onde ocorrem os encontros – ou que têm alguma ligação artística com os organizadores. Aos interessados em frequentar reuniões do tipo na Zona Norte da cidade, Mascarenhas destaca o Sarau Camarilha, que acontece uma vez por mês no Espaço Cultural Oficina, na Rua Alfredo Pujol, 381, promovido pelo escritor Marcelo Nocelli, autor do livros O Espúrio (2007) Editora LCTE e O Corifeu Assassino (2009) Editora LCTE. Há também bons saraus em Guarulhos, com destaque para o Sarau Cultural Educafro, que acontece na sede do Centro de Integração a Cidadania, coordenado por Tatiana Luz, que fica na Estrada do Capão Bonito, 53.
O escritor Marcelo Nocelli, que promove o Sarau da Camarilha, em Santana, faz poesia até na hora de apresentar seu espaço. Confira:
No dicionário… Sarau: s.m. (galego serão) 1. Reunião festiva, à noite, para dançar, ouvir música e conversar. 2. Reunião noturna, de finalidade literária. Camarilha: s.f. (espanhol camarilla). Pej. Conjunto das pessoas que cercam o chefe de Estado e com ele convivem intimamente, influindo indiretamente em suas decisões.
Em Santana, no Sarau da Camarilha… Uma reunião festiva de finalidade literária com um grupo de pessoas que convivem intimamente, influindo diretamente nos textos, nas músicas, sem qualquer chefe de Estado. O único estado é o de alegria, de felicidade e da importância de nossas apresentações, seja para um público de 80 ou de 8 pessoas. É onde podemos fazer da vida o que nós somos e do que nós somos (juntos) fazer a vida. O Sarau da Camarilha é um violão desafinado ou afinado, é uma poesia concreta ou abstrata, uma voz cantada ou surgida do nada em um pulo de susto, feito um grito. É uma poesia bem feita, dita obra-prima; com ritmo, métrica e rima. Mas também é o poema da menina apaixonada, da professora, do garçom, do aposentado, do escritor, da atriz, do menino sem se preocupar com forma ou pudor. Seja pobre ou seja rico, famoso ou ansioso, o palco é livre, é aberto, o espaço é o mesmo, porque aqui não se defende causa, não se reivindica nada, não se prega nada além da arte, do respeito e da amizade. A porta da nossa casa está aberta e os autores locais recebem os convidados não só com admiração, mas com o mesmo prazer e honra com que mostram seus escritos a eles. O Sarau da Camarilha é a liberdade; de criar, mostrar, apresentar e escutar. O intuito é abraçar um amigo, trocar boas idéias, inventar e contar histórias, sentir a poesia, sentir-se poesia. Somos um comboio da arte pelo encontro da vida e das belas possibilidades que nos dá o fato de sermos demasiadamente humanos.
Sarau da Camarilha Espaço Cultural Oficina Rua Alfredo Pujoll, 381, próximo à estação Santana do Metrô Quando: mensal – segundo sábado do mês, 20h Contato:camarilhados3@uol.com.br
E Desde já convido à todos para nosso próximo que, Excepcionalmente não acontecerá no segundo sábado do mês como previsto por motivos carnavalescos e sim no terceiro, dia 20 de fevereiro de 2010 às 20h00.
Ontem conversando com um amigo, entre uma cerveja e outra, entre assuntos diversos, ele me perguntou: que livro legal você pode me indicar? Respondi que muitos... Que ele deveria ler tudo o que lhe cair à mão. “Mas um livro bom” Ele insistiu. Bom ou ruim é você quem vai determinar. O que pode ser bom pra mim, pode não ser pra você, e vice-versa. Comece lendo o meu O Corifeu Assassino. Não muito contente com minhas respostas ele perguntou quais os livros que eu li em 2009. E ai vai resposta:
Apesar de me lembrar de todos, a lista não segue nenhuma ordem.
A cidade ilhada (Contos) Milton Hatoum
Rasif, mar que arrebenta (Contos) Marcelino Freire
Hotel Novo Mundo (Romance) Ivana Arruda Leite
Galiléia (Romance) Ronaldo Corrêia de Brito
A Parede no Escuro (Romance) Altair Martins
O rei da vela (Romance) Oswald de Andrade
O Seminarista (Romance) Rubem Fonseca
Crônicas de uma tara gentil (Crônicas) Vanessa Molnar
A chave da casa (Romance) Tatiana Salem Levy
Celular (Contos) Ingo Schulze
Amestrando orgasmos (Contos) Ruy Castro
O filho eterno (Romance) Cristovão Tezza
Manual da paixão solitária (Romance) Moacyr Scliar
Graduado em marginalidade (Romance) Sacolinha
85 letras e um disparo (Contos) Sacolinha
Elogio a loucura (Romance) Erasmo de Rotterdam
Incessante (Poesia) Lena Casas Novas
Prosa de Buteco (Poesia) Claudio Santista e Paulinho Bispo
Asas (Poesia) Cesar Veneziani
Língua - Expressões poéticas (Poesia) Maria Julia Pontes
Encanto e Desencanto (Poesia) Andrade Jorge
As vidas alheias (Romance) José Ovejero
Leite Derramado (Romance) Chico Buarque
Te pego lá fora (Contos) Rodrigo Ciríaco
Pedagogia Social de Rua (Educação) Maria Stela Graciani
Morada (Fotos e poesia) Guma e Allan da Rosa
Palavras Veladas (Poesia) Antologia de vários autores
Preconceito linguístico (Estudos da Linguística) Marcos Bagno
Um segredo no céu da boca (Poesia e Contos) Antologia de vários autores
Clara dos Anjos (Romance) Lima Barreto
Bukowski - Textos autobiograficos - Tradução de Pedro Gonzaga
Não somos racistas (Educação) Ali Kamel
Coração de pedra (Poesia) Antologia de diversos autores
A viagem do elefante (Romance) José Saramago
O Eu profundo e os outros eus (Poesia) Fernando Pessoa
A crítica fez suas advertências, suas observações. Disse que ele está se repetindo. Mas o público aprovou. O seminarista, 11º romance de Rubem Fonseca, foi escolhido pelos leitores do Jornal do Brasil como o melhor livro publicado no país em 2009. Eu, como fã, acho que não é para tanto. Mas confirmo o encanto pela repetição num gênero em que Rubem Fonseca é mestre.
O livro representa não só o retorno do escritor ao gênero depois de quatro anos (seu último romance havia sido Mandrake, a bíblia e a bengala, de 2005), mas também seu primeiro trabalho desde a surpreendente transferência da Companhia das Letras (onde era editado desde 1989) para a Agir. Completando a lista de novidades, trata-se da primeira obra literária inédita a sair no país com versões para Kindle e iPhone. Especula-se que o acerto entre Rubem Fonseca e a nova editora não tenha saído por menos de R$ 1 milhão. Mas isso não interessa a nós, fãs, simples leitores e admiradores de Rubem Fonseca. Ele merece. Até agora, a Agir relançou os dois primeiros livros do autor: as coletâneas de contos Os prisioneiros e Lúcia McCartney, acompanhados de um apanhado de críticas feito pelo jornalista Sérgio Augusto, amigo do autor desde os anos 60. O mesmo deve acontecer com o restante de sua obra, que será republicada inteiramente de dois em dois livros, a cada dois meses.
O seminarista traz um personagem que já havia aparecido em alguns contos do livro Ela e outras mulheres (2006), José é um cínico e estóico matador de aluguel, apreciador de pistolas, poesia, rock e latim, língua estudada no tempo em que era seminarista, que volta e meia ressurgem em frases em sua mente entre um e outro assassinato. Por mais difícil que seja avaliar se este é um dos personagens mais pessoais de Fonseca, o fato é que o autor transferiu para ele alguns de seus próprios gostos e hábitos. Disposto a se aposentar e aproveitar uma vida tranquila ao lado da amante, José tem seu projeto ameaçado por um antigo cliente, que começa a persegui-lo.
Veja abaixo trecho do livro O Seminarista, na voz do próprio autor:
Aos 84 anos, Rubem Fonseca ainda escreve todos os dias, “nem que seja só para exercitar”, como ele mesmo diz. Em plena forma.
Muitos críticos, autores e mesmo leitores mais perspicazes dizem que Rubem se repete; que sua literatura não pode ser considerada grandiosa e figurar entre os grandes autores da literatura brasileira contemporânea. Eu discordo e, como disse Marçal Aquino: “qualquer autor brasileiro contemporâneo deve algo a Fonseca”. Porque não são apenas as influências das narrativas policiais, homicídios e cenários urbanos reais que nos influencia. Rubem Fonseca trouxe a agilidade na linguagem, a simplicidade bem trabalhada na forma de escrever, e isso, ao menos pra mim, é a maior influência.
Parabéns ao mestre. E aproveito a oportunidade para declarar (confessar) que meu personagem Delegado Borges no livro O Corifeu Assassino (2009) é uma homenagem, inspirado em seu Comissário Alberto Matos. Personagem de seu mais famoso livro Agosto (1990). Confesso também que um de meus maiores sonhos literários era poder criar histórias protagonizadas pelo mais famoso de seus personagens: Mandrake.
Entre os projetos para 2010, há a previsão de um livro inédito e um audiolivro (cujo narrador ainda continua indefinido), além da versão em quadrinhos das histórias de Mandrake, que deverá sair pela Desiderata. Até fevereiro, ilustradores poderão enviar suas versões do famoso dublê de advogado e investigador, protagonista de contos como O caso F.A., para o site www.acaradomandrake.com.br. As feições do personagem serão escolhidas pelo próprio escritor, através dos trabalhos enviados à página.
Livros de Rubem Fonseca:
Os prisioneiros (contos, 1963)
A coleira do cão (contos, 1965)
Lúcia McCartney (contos, 1967)
O homem de fevereiro ou março (antologia, 1973)
O caso Morel (romance, 1973)
Feliz Ano Novo (contos, 1975)
O cobrador (contos, 1979)
A grande arte (romance, 1983)
Bufo & Spallanzani (romance, 1986)
Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (romance, 1988)
Agosto (romance, 1990)
Romance negro e outras histórias (contos, 1992)
O selvagem da ópera (romance, 1994)
O buraco na parede (contos, 1995)
Histórias de amor (contos, 1997)
E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto (novela, 1997)
Pois é... (Que maneira de começar um post) Mas... Pois é... Ano Novo... E com ele vários novos projetos serão iniciados e outros antigos seguem em andamento:
1 – Estou escrevendo um novo romance
2- Terminei um livro de Contos que pretendo publicar em 2010
3- O Sarau da Camarilha segue a todo vapor; o primeiro do ano acontecerá em 14/02/2010 às 20h00 no ECO – Espaço Cultural Oficina – Com novidade: Esse ano a entrada é franca.
4- Esse ano acontecerá nossa Oficina Literária - Escrita Criativa no Centro Cultural São Paulo (Vergueiro)
5- Estou escrevendo um livro de Contos Infanto-juvenis. E como aperitivo, segue abaixo um dos contos:
O aniversário do Rafael
Rafael estava feliz. Finalmente conseguiu reunir toda a turma em seu aniversário. No ano anterior ele bem que tentou, mas não deu. A culpa não foi dele, nós é que não tivemos coragem de ir, quer dizer, o Ricardo e o Bruno não tiveram coragem... Pra falar a verdade, eu também não. Já a Gabi, foi a mãe que não deixou. A minha também não quis deixar, porém, sabia que, se insistisse, ela acabaria deixando, mesmo com medo. E a Alessandra acho que não foi porque não tinha companhia, a mãe dela dava o maior apoio. A mãe dela é muito gente fina.
O importante é que no aniversário de dezessete anos estávamos todos reunidos lá. Felizes. Foi diferente, reclamamos, imploramos aos nossos pais, vencemos o medo e o preconceito, não só deles, mas nossos também e, graças a Deus, conseguimos nos reunir mais uma vez.
Quem estava como responsável era o pai do Bruno. No começo, ele ficou meio distante, mas depois acabou participando da conversa, comeu do bolo que a Gabi levou e até tomou refrigerante, o que é muito difícil. O Bruno diz que o pai dele não bebe água nem refrigerante, só cerveja. No aniversário de dezesseis anos do Bruno, ele ficou tão bêbado que quase caiu. Mas ele é divertido quando bebe, diferente do pai da Gabi, aquele quando bebe bate na mãe dela e, ai da Gabi se tentar interferir, apanha também. Coitada. Quantas vezes ela chegou na escola cheia de hematomas. No começo, nós não sabíamos, ela sempre inventava uma desculpa: caiu da escada, o irmãozinho bateu com um brinquedo em seu olho, um objeto qualquer caiu em sua perna... Até que acabamos descobrindo. Ela sofre com aquele pai.
A mãe do Rafa também foi. Ela que levou os refrigerantes. É uma pena que a Bianca, irmã mais velha dele, não pôde ir, ela é tão legal. Teve que ficar cuidando dos outros irmãos mais novos: o Marcos, dedoze anos, e o Diego, de nove. O pai deles sumiu de casa quando o Rafa tinha oito anos, o Diego ainda não tinha nem um ano. Coitada da dona Marta, ralou para criar os filhos. Ela estava feliz, apesar da aparência sofrida, mas isso ela sempre teve, desde que a conheci. Ela sempre falou muito mal do pai dos meninos, dizia que homens não prestam para nada. Minha mãe diz até hoje que homem em casa presta para poucas coisas, mas ela não viveria sem meu pai, no fundo, acho que dona Marta sentia era falta do marido.
Cantamos parabéns, o Rafa soprou as dezessete velinhas. Partimos o bolo, o primeiro pedaço ele deu pra mãe, o segundo foi pra mim. Fiquei emocionada, dei um beijo em seu rosto e um longo abraço. Podíamos bem ter sido namorados, foi o que pensei naquela hora. E como se adivinhasse meu pensamento, ele falou em meu ouvido.
- Eu prometo que nunca mais farei nada de errado. Quero voltar a estudar... E quem sabe você ainda estará livre, desimpedida.
Fiquei vermelha. Apesar de estar adorando aquele abraço quente, livrei-me de seus braços.
- Tenho certeza de que você vai cumprir sua promessa. Falei sorrindo.
Ele me puxou novamente para perto.
- Mas não quero que você fique me esperando, se conhecer alguém, quero que seja muito feliz.
Continuei constrangida, sorri e voltei-me para Gabi, tentando disfarçar.
- Onde está o presente?
- Aqui, respondeu ela, entregando o embrulho que já denunciava seu conteúdo.
Uma bola de futebol, profissional, igualzinha a que foi usada na última copa do mundo. Rafa sempre jogou muito bem, chegou até a tentar as peneiras dos grandes times de São Paulo. Sempre disse que queria ser jogador de futebol, desde pequeno.
Rafael agradeceu o presente, deu um grito para mostrá-lo aos seus amigos que estavam por ali. Eles sorriram, alguns brincaram dizendo que estreariam o presentelogo no dia seguinte.
Ficamos por lá até os educadores anunciarem o final do horário de visita. Nos despedimos do Rafa e saímos. Deu uma vontade de chorar.Entramos no carro do pai do Bruno e fomos embora da Fundação Casa da Vila Maria, antiga Febem. Fundação Casa é um nome bem melhor que Febem, eu pensei dentro do carro. Ainda pude ver dona Marta no ponto de ônibus, é uma pena que o carro já estava lotado, mas, mesmo que não estivesse, não sei se o pai do Bruno daria carona a ela.
Ano novo... Aniversário... Mais um ano debitado na conta da vida venceu hoje.
É isso... Hoje é dia do meu aniversário. Não gosto muito de comemorar... Mas quero agradecer as mensagens recebidas por e-mail, telefone, orkut e os abraços que recebi.
É bom voltar ao Blog (sem compromisso)... Sem muita coisa pra dizer...
As festas foram ótimas; Juiz de Fora, maravilhosa como sempre, apesar do pouco tempo. Casamento da Déia, Festa Maravilhosa. A recepção do Zé Luiz... Sem comentários... Churrasco do Léo... A noite no B... com Filim, Léo, Lalá, Edu e Douglas... Loucura... Loucura... Loucura... Repetindo de forma literal, um bordão usado literalmente e displicentemente por um desses figurões da TV... E o que dizer do mexidão na madrugada no famoso Bar do Galdino... Sem comentários... Ótimo... Hilário... Com direito a pôr do sol com anjo bêbado, desfile de travestis, vagabundos noturnos (quase como nós) e tudo mais... Tudo isso depois de uma noite de autógrafos do meu livro... E boas partidas de sinuca... Me senti um verdadeiro discípulo de João Antônio.
De volta a São Paulo... Ano novo... Mais um ano de experiência em vida... E diferente do que diz a maioria... “Ano novo, a velha vida”... Que nada mude, apenas continue... E ... ... ...
Mais um ano se finda... Com ele as tristezas e alegrias... Mazelas e agonias... Saudades e pesares... Agora aquela época de promessas... Eu mesmo pretendo parar de fumar, diminuir ou controlar o álcool... Ano passado falei a mesma coisa. O importante é que um novo ano se apresenta e com ele a renovação das esperanças, das realizações, da luta, da batalha... As pessoas costumam classificar... “Esse ano foi muito bom” “Esse ano foi péssimo...” Acho que esse ano foi tão bom quanto o anterior e o mesmo deve acontecer em 2010... Afinal estou vivo, ao lado da minha família e dos meus amigos, fazendo as coisas que gosto. Correndo atrás, escrevendo, trabalhando, consertando máquinas, conversando, bebendo e falando... Por isso quero agradecer aos amigos, aos leitores que ainda não conheço, aos leitores amigos que lêem por obrigação... Ou consideração... Agradecer a vida e, brindá-la!
Agora estou a caminho de Juiz de Fora (MG) para rever amigos e parentes, festejar, beber, sorrir e chorar de alegria... Só voltarei a escrever nesse Blog em janeiro de 2010. Quero desejar saúde, paz e momentos de felicidades à todos!
Estou sentado à sua frente. Eu e ela, mais ninguém. Ela me olha como que suplicando, por favor, tome uma atitude, faça alguma coisa. A iniciativa tem de partir de você. Eu não respondo. Fico pensativo por alguns minutos. Não sei por onde começar. Horas antes de encontrá-la pensei em tudo, como uma seqüência lógica a ser repetida, mas agora, na hora em que nos deparamos frente a frente, algo como medo, insegurança.
Peço que espere. Levanto a cabeça, fecho os olhos. Deixo os pensamentos fluírem. Me vem uma lembrança. Lembro dos acontecimentos recentes, recorro aos mais distantes. Tenho experiência. Sei como fazer. Acho que sou capaz.
Todos esses anos juntos... Sabia que esse dia chegaria. Quando jovem não acreditava que fosse possível. Às vezes a maltratava com os mais obtusos insultos. Depois fui me tornando mais maduro e, conseqüentemente, mais exigente comigo mesmo, até chegar ao nosso ápice, momentos inesquecíveis de segurança que só a maturidade pode trazer. Vivemos um grande período de fertilidade, nossa melhor fase. Mas o tempo passou, eu não me dei conta. E isso agora é o passado.
Durante os últimos anos da minha vida, ela foi a única companheira. Talvez por isso perdi totalmente a noção de como somos sós no mundo. Minhas dúvidas, alegrias, angústias e uma porção de outros sentimentos sempre foram confidenciados em nossa intimidade. Minha única ouvinte interessada. Não posso desapontá-la agora. Minha única ligação com o mundo. O que segredar aqui, por mais insano, vergonhoso ou até imoral que seja, chegará aos outros de forma entendível. Ela sempre faz isso. Só ela tem esse poder de transformar todos os meus dilemas internos em algo palpável e bucólico aos olhos do mundo. Nossa relação está desgastada, mas tenho medo de não saber mais viver longe dela. Ela percebe, faz a proposta: Você pode se libertar. É só querer. Basta me esquecer e sair por aquela porta. Nada me prende a você, a não ser você mesmo. Lembro de Dostoievski “Não há nada que o homem deseje mais do que a liberdade, nem nada que lhe seja tão doloroso”. Seria doloroso romper agora. Nasci para viver sozinho, em minha solidão encontrei-a. Morro de medo dessa separação ao mesmo tempo em que anseio por ela. Estou cansado. Quando estamos juntos, doou muito de mim, muito mais do que recebo. Não sei me dirigir aos outros diretamente, tenho medo. Sempre me escondi atrás dela. É meu direito deixá-la. Não estaria sendo ingrato. Mas e os outros, entenderiam? O que iriam dizer se eu abandoná-la assim? Sem explicações ao mundo? Que se danem. Ela continua me olhando. Sei o que está pensando: Que eu sou um egoísta. Sempre fui.
As pessoas precisam aceitar a minha decisão passivamente. Será que sou eu mesmo o egoísta nessa história? Eu não posso, não querer mais. Devo sofrer em silencio ao seu lado, mesmo sabendo que nada será como antes? Que tudo o que fizermos daqui pra frente será por obrigação. O que se faz obrigado não é prazeroso. E de que vale a vida sem prazer?
Espero mais alguns minutos. Volto a pensar. Será que acabou realmente o prazer? Começo a evocar o passado. Toda a nossa história. Os momentos que passamos juntos. Lembro da nossa primeira vez. Não conseguia iniciar, como agora. Ficava contemplando sua beleza, pura, virgem, como agora. Imaginando o que poderíamos viver naquele breve espaço. Eram tempos de fertilidade. Eu era jovem, cheio de idéias novas. Apressado, talvez. Não demorava muito e eu já a preenchia num gozo intenso. Fico pensativo... Tá, então, por que não falamos sobre isso? Será a nossa última vez. Ela não diz nada, parece concordar. Acho que esperava por essa decisão. Toco-a com carinho, como sempre fiz. Sinto sua suavidade branca em meus dedos. Está decidido. Vou escrever minhas memórias. Será minha última obra. A folha em branco entra facilmente na velha máquina de escrever, pela última vez, praticaremos nosso triângulo amoroso.